Qualidade no Brasil deve significar menos lesões nas costas

"Defeito zero" em produtos é uma métrica frequente de um padrão de qualidade. Lesão zero do trabalhador, apesar de ser um objetivo declarado da maioria das fábricas e centros de distribuição, não tem evoluído até uma norma de qualidade igual. Não há dúvidas que produtos com defeito custam milhões de dólares às empresas em reparos, reenvios e relações ruins com o cliente. Ironicamente, a contenção de custos, por meio de menos pedidos de indenização dos trabalhadores, litígios, ociosidade e reputação do empregador, tem um impacto mais significativo sobre o resultado final do que todas as outras iniciativas de qualidade combinadas.

Todos os empregadores concordarão em princípio que a segurança e a saúde da força de trabalho são fundamentais e afetam a qualidade. Mesmo assim, os processos de trabalho físico documentados na maioria das empresas continuam a revelar que lesões repetitivas por levantamento, abaixamento e movimentação custam milhões de dólares anualmente às empresas.

Automatizar essas tarefas reduz significativamente o potencial de lesões e interrupções dispendiosas. Nenhuma abordagem foi encontrada para eliminar totalmente as lesões nas costas causadas por levantamento, ainda que os eficazes programas de controle de segurança da qualidade e o projeto ergonômico de tarefas de trabalho possam ser muito melhorados.

O Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSC) documentou que uma lesão incapacitante ocorre a cada 1,3 segundo nos EUA (mais de 63.000 por dia), e a Administração da Previdência Social daquele país prevê que 3 em cada 10 trabalhadores que estão entrando no mercado de trabalho hoje vão adquirir algum tipo de deficiência antes de se aposentarem. A prevenção destas lesões é a métrica de qualidade mais importante. Muitas vezes ela é ignorada entre profissionais de garantia/controle de qualidade e relegada para gerentes de turno e supervisionada por gerentes de operações focados em cumprir os prazos de entrega corretos a tempo.

A incidência de lesões graves relacionadas ao trabalho entre trabalhadores adultos jovens no Brasil: análise dos dados de compensação foi publicada recentemente pela Dra. Vilma Sousa Santana, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil.

O objetivo desta pesquisa foi obter estimativas nacionais sobre a incidência cumulativa anual e a densidade de incidências de lesões graves não fatais com o uso de dados dos benefícios de indenização do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) e descrever a distribuição sócio-demográfica delas entre trabalhadores com menos de 25 anos.

59.381 trabalhadores receberam benefícios de indenização por lesões no ano estudado. Entre eles, 14.491 (24,4%) foram relacionados ao trabalho, dos quais 12.501 (86,3%) eram homens e 1.990 (13,7%) eram mulheres. A taxa de incidência cumulativa anual de lesões relacionadas ao trabalho (ACI–WI) foi 2,9 × 1000 trabalhadores, mais elevada entre os homens (4,2 × 1000) do que entre as mulheres (1,0 × 1000). A taxa de densidade de incidências (IDR–WI) foi 0,7/1000 equivalente a tempo integral (full-time equivalent – FTE), maior para os homens (0,97/1000 FTE) do que para as mulheres (0,24/1000 FTE). Ambas as medidas de morbidade foram mais elevadas no grupo mais jovem (16–19 anos) e inversamente relacionadas a salário, especialmente para as mulheres deste grupo. As indústrias de exploração florestal, extração, alimentos/bebidas e construção tiveram maior ACI–WI e IDR–WI para trabalhadores adolescentes e jovens adultos de ambos os grupos de gênero.

A Dra. Vilma concluiu que "estes resultados sugerem que a legislação trabalhista brasileira que restringe os trabalhadores jovens adultos em ambientes perigosos deve ser expandida, adicionando ocupações em outros setores extrativos e em certos tipos de trabalho nas indústrias produtoras de alimentos e bebidas. As desigualdades sociais associadas a necessidades de gênero serão examinadas mais profundamente com mais dados detalhados".

"Os pedidos de indenização dos trabalhadores podem custar mais do que acidentes de carro. Os usuários de empilhadores manuais padrão têm sido muito criticados pelas taxas de indenização dos trabalhadores que, em alguns estados, quase triplicaram nos últimos anos. As empresas devem fazer a coisa certa e reduzir as lesões e ver as taxas de indenização dos trabalhadores caírem", de acordo com Aaron Lamb, inventor do Lift’n Buddy.

Segurança e qualidade devem ser sinônimos

Os procedimentos operacionais padrão raramente incluem dispositivos móveis de elevação ou empilhadores elétricos. Lamb coloca o componente de qualidade de segurança em perspectiva, observando que "Evitar apenas uma solicitação de indenização por lesão relacionada ao trabalho compensaria os custos de uma frota de empilhadores elétricos". Na verdade, dispositivos móveis de elevação econômicos que combinam o melhor da durabilidade e da funcionalidade de um dispositivo padrão de duas rodas com os recursos de levantamento e abaixamento automático possivelmente terão um impacto maior sobre a qualidade, a segurança e o retorno sobre o investimento.

Muitas empresas brasileiras e profissionais de qualidade participarão da conferência MODEX, que será realizada em fevereiro de 2012 em Atlanta e é oferecida pela Indústria Norte-Americana de Transporte de Materiais (MHIA – Material Handling Industry of America). Apesar de a robótica ser a solução mais técnica apresentada no evento da Marquis, o foco de qualidade deve mudar, reconhecendo que os empilhadores manuais para serviços pesados causam mais de um terço de todas as lesões com transporte de materiais, quer sejam usados nas entregas, movendo os produtos em um armazém ou no chão de fábrica.

Os empilhadores elétricos de qualidade devem ser projetados com boa ergonomia e sempre com o foco na segurança para qualquer pessoa e em qualquer trabalho de movimentação e levantamento. Os dispositivos móveis de elevação, fabricados com alumínio extrudado durável e leve, ajudarão as empresas a evitar a exposição financeira com lesões em funcionários, litígios e pedidos de indenização dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que estabelece um processo de qualidade de segurança do documento.

Este mercado de empilhadores é estimado em mais de US$ 30 bilhões por ano; o custo com lesões nas costas é superior a US$ 250 bilhões por ano; essas lesões podem ser evitadas e definem a qualidade em 2012.
Escrito por Thomas Cutles, CEO da TR Cutler
Fonte: Site Banas Qualidade

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