Sobrevivência exige inovação e informação

Ter uma grande ideia na cabeça pode não ser suficiente para que um empreendedor alcance o sucesso de seu novo negócio. O despreparo na área da gestão, além da falta de planejamento e de um olhar para o futuro, podem fazer com que investimentos iniciais sejam perdidos e a oportunidade, desperdiçada. A partir de amanhã, a Feira do Empreendedor, em Curitiba, ajuda empresários iniciantes a encontrar meios de prosperar nos negócios – meios que incluem, obrigatoriamente, a busca constante por conhecimento e inovação.

Segundo o Sebrae, em 2006 mais da metade das novas empresas no Brasil fechava as portas antes de dois anos, período considerado crítico por especialistas; atualmente, 75% das empresas abertas superam esta marca. O dado que chama a atenção é que, em 2010, nenhum dos empresários que tiveram de fechar seus negócios havia buscado assistência especializada.

“A procura por informação com o intuito de trazer inovação e novos conhecimentos faz toda a diferença no processo. Os dados apontam que os novos empresários estão encarando os desafios com outra postura”, destaca o diretor-superintendente do Sebrae-PR, Allan Marcelo de Campos Costa. Segundo ele, ser empresário está cada vez mais se tornando uma atividade que exige formação específica. “Para exercer qualquer função são necessários cursos para o aprendizado. Com os empresários não é diferente. Mesmo que as pessoas pensem que é possível ser empresário sem um conhecimento específico, ele precisa ter noções de vários aspectos de seu negócio”, acrescenta.

Trancos e barrancos

O designer Gilberto Matos Teixeira de Freitas começou seu próprio negócio aos trancos e barrancos, estabilizando-se apenas depois de buscar ajuda especializada. Após a formatura, e tendo trabalhado em algumas empresas da área, o jovem empreendedor se uniu a um amigo e decidiu abrir uma agência de design e comunicação. “O mercado estava muito difícil, tínhamos dificuldades de encontrar emprego na área. Por essa razão, pensamos em trabalhar em carreira-solo. Não tínhamos como investir muito e fomos levando sem imaginar o que aconteceria mais para a frente”, conta.

Os dois sócios tinham poucas noções de mercado. “Fomos melhorando com erros e acertos, não tínhamos noção de planejamento de longo prazo. Eu não recomendo a ninguém começar um negócio desta forma”, afirma. O maior desafio que o designer encontrou foi a saída do sócio, que trabalhava com a gestão da empresa, enquanto Freitas se dedicava à criação. “Ficou muito mais difícil trabalhar. Foi quando eu vi que, se não começasse a me atualizar e melhorar as práticas na minha empresa, eu não teria como continuar”, ressalta.

O designer participou, então, de uma série de atividades que o convenceram da necessidade de formação constante. “Fiz alguns cursos que sacudiram a minha cabeça, ajudaram a mudar completamente a gestão da minha empresa. Além de agregar valor ao meu negócio, me qualificar, participar de palestras e eventos empresariais, eu passei a ver novas oportunidades que não teria visto se tivesse ficado apenas dentro da minha empresa. Agora, sempre estou de olho nas novidades, livros e cursos”, revela o designer. Hoje, depois de se aperfeiçoar, Freitas emprega nove pessoas e diz que o rendimento dos funcionários já melhorou em 30% desde o momento em que assumiu a gestão.

Pequenas mudanças

Claudinei Alves, sócio da consultoria Profissionais Associados, afirma que, por vezes, os empresários têm uma visão errada sobre a inovação. Segundo Alves, inovar não é revolucionar, mas incorporar pequenas mudanças no cotidiano da empresa. “Hoje inovar não é mais diferencial, é uma característica básica dos negócios. Não é preciso mudar completamente os métodos. Mudanças pequenas, como uma nova fachada, um atendimento mais exclusivo ou até o cafezinho servido ao cliente são medidas inovadoras. São as pequenas modificações cotidianas que podem mudar o patamar da empresa”, ressalta o consultor.

Publicado em 16/03/2011
Fonte: Site Gazeta do Povo

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